terça-feira, 4 de maio de 2010

Boooooooooooooooooooooooooooooom dia vietnam!!!!!

Sempre tenho vontade de dizer isso quando dou bom dia mas parece que as pessoas nunca viram esse filme! Pow, clássico! Esqueci o nome agora mas isso não vem ao caso, enfim.


Outra coisa que não vem ao caso é que 00:40 não é bem hora de dizer bom dia a ninguém, mas quem achar ruim que vá dizer isso pras atendentes de tele-taxi.


O caso é que andei lendo os posts do passado e, noussa, nem acredito que era eu mesma que escrevia tudo aquilo. Na verdade acho que eu devia aproveitar a chance e dizer que a redatora que eu havia contratado para escrever aqueles textos teve que parar de fazer freela pra mim porque arranjou emprego num lugar decente. *sonho*

Pronto, falei. Revelei meu segredo. Agora posso retornar pro meu túmulo e descansar em paz.

Tendo dito isso, só quero dizer que me diverti muito lendo os comentários que todos os meus vastos milhares de leitores que não me deixam sair na rua tranquila, escreveram. Pra tentar resgatar essa vida virtual é que decidi escrever no blog.

Eu sempre tento retomar essas coisas de longo prazo, mas confesso ter uma certa dificuldades com o que não é instantâneo.



Adieu.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Paciência José!

O relógio ticava. Só se ouviam os sons dos teclados, o dele e dos vizinhos. José parou de digitar para observar aquela situação, dezenas de pessoas enfiadas em seus cubículos, com as cabeças baixas, digitando sem parar qualquer coisa que o trabalho obrigava a escrever.

Assim, se deixou levar em devaneios. Ouvia o relógio ticando, os teclados batendo, os saltos das mulheres andando, telefones tocando. Começou a ouvir uma música. De repente ele não estava mais no seu escritório, mas em um grande concerto onde ele era o maestro. Se imaginou regendo todas aquelas pessoas num som único, forte, cheio de emoção. Sentiu na pele tudo isso, sentiu seu coração disparar e as mãos suarem. Amava a música, amava como ela o fazia se sentir.

Seu celular tocou. Era o alarme avisando que era hora de voltar à realidade, enfrentar o trânsito pesado, o ônibus lotado. Respirou fundo tentando esquecer a mulher que o aguardava em casa, tentando imaginar que seria bem recebido, com carinhos e abraços, que eles poderiam conversar sobre o seu dia e ficar à vontade. Não, Maria não era assim.

Como sempre, ele tinha que ter paciência. Foi criado com base na recompensa. Aprendeu que Deus presenteia os bons de coração, e que mesmo na pior das situações temos que ser pacientes. Difícil lição, quase quarenta anos já se passaram e ele ainda não viu a tal recompensa, ou não a percebeu, mas ainda tem esperanças de encontrar seu paraíso antes do fim.

Mais uma vez respirou fundo. Desligou seu computador, arrumou sua pasta e saiu porta a fora, tentando transformar os sons que ouvia em mais uma música, uma trilha sonora para o drama da sua vida.




Releu o texto, corrigiu os erros e pensou se dessa vez teria conseguido desabafar sem desnudar seus sentimentos. Não. Ainda lhe parecia óbvio. Dane-se.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Adoniran Barbosa, 36

Ultimamente ando em um período de questionamentos e indecisões. Tenho me perguntado se estou guiando minha vida no caminho certo e muitas vezes anseio por ajuda mas sem ter muito a quem recorrer, só eu posso cuidar da minha vida.

Eis que, imersa em pensamentos, esperando o ônibus em plena Av. Bridageiro, uma senhora me para e pede ajuda para identificar o seu ônibus. Eu sou muito prestativa e logo me dispus a ajudá-la. Começamos conversando sobre o tempo, normal, logo passamos para a catarata dela (por isso precisava de ajuda para ver o ônibus) e logo evoluímos para religião. A mulher desatou a falar de um lugar ao qual ela frequenta a mais de 40 anos e que sempre a ajudou nos momentos difíceis. "Aqui perto, na R. Adoniran Barbosa, 36". E repetiu muitas vezes esse endereço, frisando o quanto tinha feito bem a ela frequentar esse lugar.

Eu nunca fui religiosa, nunca assumi uma religião mas tenho minha fé. Nunca senti falta de ir a um culto mas às vezes, quando me sinto muito confusa, penso se algo assim não me ajudaria a controlar melhor a ansiedade, a encontrar a tranquilidade. Não sei, parece que sempre quando precisamos de algo, basta abrir os olhos pra encontrar. Mas e aí, e quanto ao lugar, será que vale a pena ir lá checar?

O ônibus dela chegou antes do meu, eu a ajudei e ela me agradeceu, mas qual foi a última coisa que ela me falou?

"Adoniran Barbosa, 36"

domingo, 13 de setembro de 2009

Cabeça dura

Insegura. Apaixonada por idéias, cheia de esperanças, mas incapaz de amar as pessoas. Até quando?? Até quando vale a pena insistir?








terça-feira, 18 de agosto de 2009

Uma vez pensei em escrever um livro. Ele começava assim:

Elise acordou, como todos os dias, ouvindo os pássaros em sua fazenda, sabia que tinha que se levantar e ajudar seu pai, que logo viria chamá-la. Ela saiu da cama, trocou de roupa, tomou seu café e foi em busca do pai que já devia estar no estábulo, ordenhando as vacas.

Elise era uma jovem de 15 anos que durante toda sua vida morou na fazenda apesar de estudar na pequena cidade de Lichfield, há 30 km de lá, no interior da Inglaterra. Junto com ela morava sua avó, que por ser velhinha apenas cuidava da casa. Sua mae morreu há muitos anos, ainda durante o parto como contava seu pai. Ele, um homem muito cuidadoso, tratou de criar a filha com o máximo de amor para que esta nunca sentisse tanto a falta da mãe. Como a família não possuía muitos bens, Elise cresceu acostumada a trabalhar na fazenda, cuidar dos animais e ajudar seu pai no que mais preciso fosse, e essa era sua rotina, levantar cedo, ajudar nas tarefas, ir à escola e voltar para terminar aquilo que não havia sido feito.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

177P-10

Saindo do trabalho me dirijo ao ponto de ônibus. Será que é aqui mesmo onde devo ficar? É a primeira vez que uso essa linha, não quero perguntar ao cara do lado mas preciso ter certeza... Ando mais um pouco, tem duas meninas ali, elas devem saber. "É aqui que passa o Butantã-USP?". Sim, é aqui. Fico posicionada para ver os ônibus que se aproximam. Droga, esqueci o óculos.

Um ônibus azul se aproxima, as meninas olham pra mim ansiosas, sem entender tento ler o que diz no letreiro. Butantã-USP. O motorista pára no meio da rua, entre buzinas e gritos subo em um ônibus vazio. Sento ao lado da janela, próxima à porta. Meu ponto de descida é longe mas minha ansiedade não me deixa ir mais pro fundo.

Não reconheço as ruas por onde estamos passando mas pelo menos sei que não vou parar muito longe de casa. Várias pessoas entram nos próximos pontos, todos os lugares agora estão ocupados. Sinto falta de música, por onde anda mesmo o meu player? Começo a bolar histórias pra cada pessoa que divide o caminho comigo. A gorda que está voltando pra casa, pros seus filhos ranhentos e marido omisso. A menina que vai à faculdade com o colega. O músico que precisa ensaiar. Quantas vezes ainda vou encontrar essas pessoas? Gostaria de ter um caderninho comigo para anotar meus pensamentos, parecem bons na hora, não consigo reproduzi-los depois.

O ônibus faz uma curva e reconheço seu caminho. Agora estou quase perto de casa, já posso me perder.




quarta-feira, 22 de julho de 2009

The Pretender

Gostava de ouvir música alta. Sentia falta.
Pra aliviar o stress e os sentimentos guardados ela se retirava, ia para o quarto e ficava com o fone de ouvido, escutando suas músicas favoritas a todo volume.

Mas ouvir suas músicas sempre trazia mais sentimentos, dava vontade de sair, correr, sentir o vento bater no rosto, sentir o ar frio da noite. Sentia falta da liberdade que tinha. Sentia falta de muitas coisas. A música despertava alguma coisa que parecia adormecida, um desejo, uma energia. Gostava de se sentir assim. Dava tesão.

Ouvia os acordes, a guitarra, tentava entender porquê quase nunca conseguia libertar aquilo. Ultimate freedom. Prazer. Ansiava por ele nesses momentos. Queria pele, língua, suor.
Queria dançar, gritar, até a maquiagem se desfazer. Se entregar a toda aquela energia expressa em sons. Imaginava diversas histórias. Se via em situações. Sonhava acordada. Sua vontade era tanta que seu corpo vibrava. Sentia os músculos tremerem. As mãos seguiam as linhas de seu corpo. Repetia mil vezes a mesma música tentando tornar tudo aquilo real. E quanto mais repetia mais distante da realidade aquilo parecia. Parecia que nunca ia ter oportunidade de experimentar o que aquela música transmitia.

Desligou o som. Deitou na cama. Sozinha. Dormiu e sonhou com tudo aquilo que desejara acordada. Pelo menos no sonho conseguia viver sem limites.





What if i say i'm not like the others?
What if i say i'm not just another one of your plays?
What if i say i'll never surrender?