quarta-feira, 22 de julho de 2009

The Pretender

Gostava de ouvir música alta. Sentia falta.
Pra aliviar o stress e os sentimentos guardados ela se retirava, ia para o quarto e ficava com o fone de ouvido, escutando suas músicas favoritas a todo volume.

Mas ouvir suas músicas sempre trazia mais sentimentos, dava vontade de sair, correr, sentir o vento bater no rosto, sentir o ar frio da noite. Sentia falta da liberdade que tinha. Sentia falta de muitas coisas. A música despertava alguma coisa que parecia adormecida, um desejo, uma energia. Gostava de se sentir assim. Dava tesão.

Ouvia os acordes, a guitarra, tentava entender porquê quase nunca conseguia libertar aquilo. Ultimate freedom. Prazer. Ansiava por ele nesses momentos. Queria pele, língua, suor.
Queria dançar, gritar, até a maquiagem se desfazer. Se entregar a toda aquela energia expressa em sons. Imaginava diversas histórias. Se via em situações. Sonhava acordada. Sua vontade era tanta que seu corpo vibrava. Sentia os músculos tremerem. As mãos seguiam as linhas de seu corpo. Repetia mil vezes a mesma música tentando tornar tudo aquilo real. E quanto mais repetia mais distante da realidade aquilo parecia. Parecia que nunca ia ter oportunidade de experimentar o que aquela música transmitia.

Desligou o som. Deitou na cama. Sozinha. Dormiu e sonhou com tudo aquilo que desejara acordada. Pelo menos no sonho conseguia viver sem limites.





What if i say i'm not like the others?
What if i say i'm not just another one of your plays?
What if i say i'll never surrender?

Um comentário:

  1. Mais uma coisa para conversar com meu analista (aquele que nunca terei). Nos meu sonhos eu sou ainda mais limitado que acordado. Se sonho que tenho uma arma, ela nunca atira. Se sonho que sou o superman, não consigo voar. Já até imagino o que ouviria do meu analista...

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