terça-feira, 18 de agosto de 2009

Uma vez pensei em escrever um livro. Ele começava assim:

Elise acordou, como todos os dias, ouvindo os pássaros em sua fazenda, sabia que tinha que se levantar e ajudar seu pai, que logo viria chamá-la. Ela saiu da cama, trocou de roupa, tomou seu café e foi em busca do pai que já devia estar no estábulo, ordenhando as vacas.

Elise era uma jovem de 15 anos que durante toda sua vida morou na fazenda apesar de estudar na pequena cidade de Lichfield, há 30 km de lá, no interior da Inglaterra. Junto com ela morava sua avó, que por ser velhinha apenas cuidava da casa. Sua mae morreu há muitos anos, ainda durante o parto como contava seu pai. Ele, um homem muito cuidadoso, tratou de criar a filha com o máximo de amor para que esta nunca sentisse tanto a falta da mãe. Como a família não possuía muitos bens, Elise cresceu acostumada a trabalhar na fazenda, cuidar dos animais e ajudar seu pai no que mais preciso fosse, e essa era sua rotina, levantar cedo, ajudar nas tarefas, ir à escola e voltar para terminar aquilo que não havia sido feito.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

177P-10

Saindo do trabalho me dirijo ao ponto de ônibus. Será que é aqui mesmo onde devo ficar? É a primeira vez que uso essa linha, não quero perguntar ao cara do lado mas preciso ter certeza... Ando mais um pouco, tem duas meninas ali, elas devem saber. "É aqui que passa o Butantã-USP?". Sim, é aqui. Fico posicionada para ver os ônibus que se aproximam. Droga, esqueci o óculos.

Um ônibus azul se aproxima, as meninas olham pra mim ansiosas, sem entender tento ler o que diz no letreiro. Butantã-USP. O motorista pára no meio da rua, entre buzinas e gritos subo em um ônibus vazio. Sento ao lado da janela, próxima à porta. Meu ponto de descida é longe mas minha ansiedade não me deixa ir mais pro fundo.

Não reconheço as ruas por onde estamos passando mas pelo menos sei que não vou parar muito longe de casa. Várias pessoas entram nos próximos pontos, todos os lugares agora estão ocupados. Sinto falta de música, por onde anda mesmo o meu player? Começo a bolar histórias pra cada pessoa que divide o caminho comigo. A gorda que está voltando pra casa, pros seus filhos ranhentos e marido omisso. A menina que vai à faculdade com o colega. O músico que precisa ensaiar. Quantas vezes ainda vou encontrar essas pessoas? Gostaria de ter um caderninho comigo para anotar meus pensamentos, parecem bons na hora, não consigo reproduzi-los depois.

O ônibus faz uma curva e reconheço seu caminho. Agora estou quase perto de casa, já posso me perder.




quarta-feira, 22 de julho de 2009

The Pretender

Gostava de ouvir música alta. Sentia falta.
Pra aliviar o stress e os sentimentos guardados ela se retirava, ia para o quarto e ficava com o fone de ouvido, escutando suas músicas favoritas a todo volume.

Mas ouvir suas músicas sempre trazia mais sentimentos, dava vontade de sair, correr, sentir o vento bater no rosto, sentir o ar frio da noite. Sentia falta da liberdade que tinha. Sentia falta de muitas coisas. A música despertava alguma coisa que parecia adormecida, um desejo, uma energia. Gostava de se sentir assim. Dava tesão.

Ouvia os acordes, a guitarra, tentava entender porquê quase nunca conseguia libertar aquilo. Ultimate freedom. Prazer. Ansiava por ele nesses momentos. Queria pele, língua, suor.
Queria dançar, gritar, até a maquiagem se desfazer. Se entregar a toda aquela energia expressa em sons. Imaginava diversas histórias. Se via em situações. Sonhava acordada. Sua vontade era tanta que seu corpo vibrava. Sentia os músculos tremerem. As mãos seguiam as linhas de seu corpo. Repetia mil vezes a mesma música tentando tornar tudo aquilo real. E quanto mais repetia mais distante da realidade aquilo parecia. Parecia que nunca ia ter oportunidade de experimentar o que aquela música transmitia.

Desligou o som. Deitou na cama. Sozinha. Dormiu e sonhou com tudo aquilo que desejara acordada. Pelo menos no sonho conseguia viver sem limites.





What if i say i'm not like the others?
What if i say i'm not just another one of your plays?
What if i say i'll never surrender?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Prece

Nossa Sra. Desatadora das Teses, em ti confiamos para a proteção contra o Exu Tranca-Tese.
Nos proteja de: Queimação de pen drive; bibliografia em alemão; visita fora de hora; linha no word que não sobe com 'del'; fotocopiadora quebrada.
Dá-me: encontros com o orientador no corredor da Universidade e livro emprestado com data de devolução pra 2050.
Nossa Sra. Desatadora das Teses, livra-me também das perguntas indiscretas, das dúvidas fora de hora, e das incertezas idem. Ajuda-me a lembrar dos nomes dos autores e da pronúncia deles, assim como do modo como se faz notação de revistas.
Nossa Sra. Desatadora das Teses, livre-me de pensamentos acerca de minha tese durante meu sono. Que eu possa dormir o sono dos justos impunemente, sem que eu tenha que me levantar ou acender a luz para anotar insights invasivos que detonam minha mente quando preciso descansar para mais um dia de batalha! Que tais pensamentos venham na hora certa, quando me sento diante de meu PC e eu não me torne um zumbi.
Ó Nossa Sra. Desatadora das Teses, desperta no meu orientador uma enorme vontade de ler minha tese. Que ele a leia com olhos vigilantes, para não deixar passar nenhuma monstruosidade, mas também com olhos piedosos, para me deixar enfrentar a banca. E que a banca, Senhora, me dê os apertos que achar necessários, mas que ao final assine a poderosa ata, redenção final dos meus inúmeros pecados.
Nossa Senhora Desatadora das Teses, meu orientador insiste em dizer que a minha tese está, entre aspas, uma merda, mas eu sinto que a Senhora vai me dar um luz bem forte e lançar como de um passe de mágica, artigos que abram meu cérebro tão debilitado por tamanha pressão.
Minha Santa querida, já que eu fiz esta escolha na minha vida e sinto na obrigação de terminar, me dá forças para não matar um!

AMEM!!!!


*copiado do Fórum Sociedade do Pastel

segunda-feira, 22 de junho de 2009

The Sky Is Falling

Algumas músicas simplesmente nos levam pra outro lugar. Como pode isso??

terça-feira, 16 de junho de 2009

War

Estava demorando mas aconteceu, foi declarada guerra.

Vaca Louca x Publicitária Albina.
Cena 1
Eu acordo de manhã. Perdi a hora. Saio desesperada pela casa ligando para meu amigo (que foi embora sem mim, hunf viu...). Ouço barulho de pessoas na casa. Me distraio. Todos correm para o quarto e se escondem até que eu saia.
Cena 2
Chego em casa. A pessoa é toda sorrisos enquanto faz sala pra minha avó, uma simpatia só. A vóvis foi embora. O sorriso também.
Cena 3
Chego em casa mais uma vez. Vou jantar e vejo um bolo de chocolate gigante. Ela entra na cozinha. "Esse bolo deve estar uma tortura pra você né? Está uma delíííícia mesmo, a Ana* acertou a mão dessa vez, está ótimo". Só uma coisa pode expressar minha reação: ¬¬
(Todo mundo sabe que eu sou chocólatra e não estou comendo chocolate por causa de uma promessa, precisa me dizer essas coisas??).
Cena 4
Na mesma noite. Ela está no computador. Tudo bem, vou esperar. Vou para academia, volto. Faço meu almoço do dia seguinte. Troco de roupa. Decido ler. E ela ainda está lá, mas pensam vocês que ela está usando o computador? Nããããão, ela está sentada em frente ao computador do meu pai, com um laptop dela, aberto, em cima do teclado, batendo papo no telefone!!! Vocês leram bem isso? Em cima do teclado!!! Tem como sublinhar isso aqui... deixa ver... ahn, vai negrito, em cima do tecladooo, o note dela, em cima do teclado do computador do meu pai, desligado. Tem como isso ser mais encheção de saco proposital? Sendo de conhecimento geral que eu sempre fico no computador à noite?
Ainda tem mais.
Cena 5
Eu, deitada na cama, no meu quarto, lendo. Ela no computador (desligado!!), falando ao telefone. Levanta bem linda, bem glamurosa, entra no meu quarto sem pedir licença, sem olhar na minha cara, sem educação nenhuma, e diz "vou fechar a sua porta aqui tá". POF. Fechou a porta do meu quarto.
OO
Agora me diz, eu não sei o que raios acontece na cabeça dela, eu não entendo. Ciúmes do gordinho?? Como se eu fosse desposá-lo e levá-lo embora para um mundo distante só nosso, onde o incesto fosse admirado. Peloamordedeus!!! Alguém explique a essa mulher que eu não sou uma ameaça!!
É isso, pronto. Antes eu gostava dela, agora não gosto mais. Se é pra ser chata, eu consigo ser pior. Não duvide. E não adianta vir de boazinha hoje ("tem canjica na geladeira tá?"), não esqueço não, eu quero sinceridade.
* Os nomes foram trocados para evitar exposição da figura alheia.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Finalmente

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como é que põe vídeo do youtube nesse treco? que brochante...